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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Udo conta a sua História...


Eu sou Udo Henschel de Joinville/SC.
Aos oito anos de idade tive insolação, fiquei muito mal por oito dias.
Aos 13 anos tive nervos reumáticos (cacoetes fortes).
Fiquei 30 dias em tratamento isolado, foi quando o médico naquela época me falou: Udo, você para a sua saúde,você não deves fumar e nem ingerir bebida alcoólica.
Mas o futuro me reservara outro fim, pois, comecei a fumar aos 15 anos e também a bebericar na mesma época. De
copo em copo nas festinhas, fui achando aquilo bacana e gostoso, pois relaxava.
Mas aos 38 anos,surpresa. Não tinha mais controle sobre a bebida, vejam só, tornara-me um alcoólatra.
Tive que em 1991, tomar uma decisão, deixar da bebida ou morrer.
Pois optei pela primeira opção. Deixei da maldita, pensei comigo: Agora vamos tocar a vida nova.
Mas novas provações me esperavam. Em janeiro de 1995,venho a falência da minha pequena empresa de atacado de roupas. Perdi todos os meus bens, mas tudo mesmo. Segurei firme. Não recai na bebida. Pois seria um prato cheio, mas em nada resolveria meu problemão. Agora sim, o Udo tinha ido ao fundo do poço.
Pois bem para dar seqüência a minha trajetória neste mundo, travei.
O meu emocional ficou muito abalado. Fui ao médico neurologista, e este receitou-me apos vários exames o remédio chamado tegretol, isto é para convulsão que nunca tive.
Fui há varias consultas, sempre dizendo: Doutor,eu estou piorando,estou com lentidão, dificuldade de andar, trocar de roupa, etc...
A resposta era sempre a mesma: Eu sou o médico
Pois bem, após cinco anos nesta agonia ( a estas alturas eu já tinha realizado um concurso para fiscal de tributos e já tinha sido convocado). Procurei outro médico, pois agora pelos sintomas as pessoas mais próximas diziam: “você tens” é labirintite.
Após muito exame o Dr.Pacheco falou-me: Você estás com algum problema neurológico e,indicou-me a salvação.
Fui direto no Dr.Cabral,e, em apos meu rápido relato, ele diagnosticou: Udo você estas com a doença de Parkinson.
Ele se surpreendeu quando eu disse: Graças a Deus! Mas eu me referi ao seguinte: que finalmente eu descobri o que tinha.
Pois bem, receitou-me cronomet e jumexil. Tomei.
No primeiro dia pensei: pronto vou morrer, tal foi a reação. Mas nos próximos dias foi desaparecendo a lentidão, as dificuldades.
Fiquei radiante.
Voltei ao consultório de Dr. Cabral conforme o combinado. Ele disse que estávamos no caminho certo e, intimou-me para organizar uma reunião e fundar uma associação com intuito de ajudar os outros. Quando disse: Primeiro me deixa entender o que realmente é o Parkinson.
Pois, nada sabia a respeito e, três anos apos o diagnostico fiz a primeira reunião.
Conseguimos reunir umas 30 pessoas, fiquei empolgado, na próxima veio nem 10, mas, diante das ponderações, não desistimos e três meses após o primeiro encontro já estávamos juridicamente estabelecidos.
Fizemos agora dia 14/10/2008 cinco anos de atividades, somos de Utilidade Publica Municipal, Estadual e estamos encaminhando para federal. Somos algo em torno de 60 associados, estamos com uma sede provisória.
Fora a reunião mensal, que nunca deixou de acontecer, estamos atualmente com dois grupos diariamente, um de terapia ocupacional e outro de fisioterapia.
Em fevereiro/2009 teremos um grupo de associados que fará um curso de informática em parceria com a faculdade de Joinville, teremos também grupos de fono, teatro, dança e coral.
A AJPP é minha segunda casa, somos uma família e, esta família com certeza, entende melhor as manhas da nossa doença, do que a nossa própria esposa e filhos.
Quando eu vejo aquele pessoal reunido, fazendo qualquer atividade, eu lhes digo que a emoção que eu sinto é inexplicável.
É uma sensação de paz, de realização.
Diante disso eu reflito e digo: Obrigado senhor pelo Parkinson, pois eu jamais teria evoluído tanto espiritualmente, como jamais teria conhecido os meus associados e vocês de tão longe.
Pense bem como nós nos afinamos, isto sem um conhecer o outro.
Cada congresso é uma alegria, cada reunião é uma festa.
Para encerrar, quero pedir desculpas pelo cansaço do meu testemunho, mas hoje abri meu coração, e que sirva para alguma coisa.
Abraços
Udo Henschel –
Presidente da AJPP de Joinville
tel (47) 9132-5300

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Depoimento de Ana Lucia - APPVR


Tenho o diagnóstico do Parkinson há aproximadamente 06 anos.
Soube de uma forma simples e direta, não houve rodeios.
No primeiro momento houve um impacto e também um alívio, pois finalmente eu tinha um diagnóstico. Havia um problema instalado e mesmo indo a vários médicos não sabia a origem do que sentia, só tinha consciência que algo de muito errado estava acontecendo.

Como lutar contra o que não conhecemos? Fica difícil, mas à medida que vamos nos familiarizando com o problema, fica mais fácil mantê-lo sobre controle.
Eu não tinha nenhum conhecimento sobre o Pk, queria falar sobre o que estava me acontecendo, mas as pessoas do meu convívio também não sabiam.
Busquei então informação na Internet, e em um grupo de apoio conheci uma pessoa que me ajudou muito naquele momento, minha amiga Carla Macharutto de Maringá, aliás, ela continua me ajudando, pois nos tornamos grandes amigas.
Este apoio para mim foi fundamental, falávamos a mesma linguagem, afinal tínhamos os mesmos problemas. Precisava de alguém que me escutasse e que soubesse realmente o que eu estava sentindo, para poder ir assimilando tudo que estava acontecendo.

Tive a nítida certeza que ficar sozinha num momento deste torna o problema maior ainda. Pensando em quantas pessoas poderiam estar passando pelas mesmas dificuldades, resolvi fazer um grupo de apoio aos portadores de Pk.
Consegui um espaço com um amigo, escrevi uma carta para um jornal e hoje após 09 meses de bastante trabalho temos quase 40 associados. Foi criada no dia 23/02/08 a APPVR- Associação dos Portadores de Parkinson de Volta Redonda.

Tenho a mais absoluta certeza do imenso amor de Deus por todos nós, e quando me acontece algo tão sério assim, não tenho dúvidas de que tirarei proveito, será para o meu crescimento. Peço que Ele me de tranqüilidade para trilhar mais este caminho, que agora compartilhado está muito mais suave.
Agradeço profundamente a Deus e a todos que direta ou indiretamente tem me apoiado nesta fase de minha vida.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Depoimento do Renato


Minha história – Em cordel

Em dezembro de 2005
Sentindo dor na mão
Quase não escrevia
Na minha pós-graduação

Inquieto com o que sentia
Procurei um ortopedista
Ele logo foi respondendo
É caso para um neurologista

Rapidamente consultei
Com o melhor que conhecia
Compressão da 6ª vértebra
Isso me deu alegria

Alegria teve um motivo
Explico qual a razão
É que o diagnóstico
Aliviou meu coração

Aí passou muito tempo
Mas continuou a dor
E para minha surpresa
Associou ligeiro tremor

Procurei no tratamento
É não achei resultado
O tempo se passava
E eu mais preocupado

Li um livro sobre uma doença
Não tive muita sorte
Era a Esclerose Lateral
Que leva o paciente à morte

Depois de muitos exames
E de tanta suposição
Foi traçado o diagnóstico
Parkinson e Depressão

Mais uma vez fiquei
Feliz com a notícia tal
Pois não era E.L.A.
Aquela doença fatal

Ainda bem que na hora
Para dividir minha dor
Ao meu lado a esposa
A quem chamo de Minha Flor

No momento imaginei
Como é que vou fazer
Só um pensamento
De todos vou esconder

Sentindo dificuldades
Meu trabalho executar
O médico achou por bem
Do serviço me afastar

De início foi terrível
A situação aceitar
Cheguei a pensar loucuras
Até deste mundo mudar

Duas coisas que gostava
A cerveja e o karatê
O médico aconselhou
Melhor me abster

Foram meses de agonia
Que ninguém queria ter
Já fui vezes ao hospital
Achando que ia morrer

O tempo foi passando
Eu sempre a estudar
Então descobri a ABP
Sempre pronta a ajudar

Para quem não conhece
ABP é uma Associação
Cuida de parkinsonianos
Com toda dedicação

Descobri que nas Segundas
Tem o Chat para integrar
Uma sala aberta a classe
Para qualquer um entrar

Foi onde me encontrei
E aos poucos percebi
Tenho muito a viver
E com outros dividir

Preciso aqui registrar
Quem sempre me apoiou
Refiro a minha família
Que sempre me ajudou

Descobri que na vida
Nunca podemos parar
Se um quer seu auxílio
Ajuda tem que prestar

Percebi que quando ajudo
A quem está precisando
No fundo, a bem da verdade
Sou eu que sai ganhando

Eu sou o Renato
Tive prazer em contar
Um pouco da minha vida
Espero te animar

Faça para ti meu exemplo
Arranque tudo que é mal
Verás que a tua vida
Vive sempre em alto astral

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Depoimento de Inês...



Ei , olhem meu depô...

Eu sou Inês, me conheço bem, mas e essa DP,
será que alguém pode me dizer quem e o que é ela?
Estudei muito, cheguei a seguinte conclusão: quando se tem amor a vida, quando damos valor ao sol que nos ilumina, quando o riso é fácil em nossos lábios, essa tal DP, se encolhe... fica quietinha esperando o momento de você estar triste pra ficar te azucrinando, te colocando pra baixo..
Graças.. Descobri isso a tempo. Então permaneço em pé.. não sento.. não dou o lugar pra ela, se ela quiser ela que vá se sentar e deitar eu fico de pé andando, correndo, rindo me divertindo até não poder mais, enquanto eu estiver viva ela vai ficar em segundo plano, pois quem me deu a vida disse : INÊS ESSE SHOW È SEU.. então se sou a artista principal nenhuma dpezinha, vai me tirar do palco, afinal gosto de luzes , de som e muita purpurina, ela ao contrário faz do nosso palco, se deixarmos, um verdadeiro funeral, e como eu detesto velório prefiro uma boa dança tipo, lambada, salsa e merengue não permito a entrada dessa estranha no meu show nem pra fazer papel secundário.
É um desaforo ela ter tentado se meter comigo, acho que se arrependeu muito. Ficou decepcionada com ela mesma . COITADINHA DELA. E eu continuo dizendo assim , dr Parkinson te incomodo, que pena!!! Vá catar coquinho , Dr. Eheheheheheh.
Quando eu tive a notícia de que pertencia a essa elite , ou seja , DPs, fiquei intrigada, engraçado em momento algum me desesperei, e olhe que eu tinha somente 27 anos, acho que estava tão atarefada com coisas mais importantes que esqueci de ficar triste.. não lembro realmente de ter chorado ou ficado triste ou coisa semelhante, eu heim..
Bom passei por vários médicos , bons médicos, mau médicos e no final era a mesma coisa. Entrava no consultório tremendo e saia tremendo. Hoje não tremo não me pergunte porque. Só sei que não vejo nada nessa doença pra nos deixar pra baixo, afinal não estamos vivos, então vamos viver!!!!!

Dêem glória a Deus pela vida, esse é o presente mais bem aplicado as pessoas, sejam felizes, esbanjem serotonina, essa substância é divina, não deixem que esse show passe sem que vocês atuem como atores principais Levantem a cabeça, engatem a primeira e vamos em frente minha gente, tremendo ou não, arrastando o pé ou não , nós estamos vivos e é isso que importa.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Depoimento de Mª Celia - Santa Catarina


Minha História
Sou Maria Célia Figueiredo da Silva, 44 anos, professora de Matemática e Ciências do Ensino Fundamental, portadora do Mal de Parkinson...
Iniciei minha luta contra o Mal de Parkinson, sem saber que ele existia, foi em 09/2002, estava me preparando para marchar com os alunos dia 07de setembro, quando um colega meu de escola, professor de Educação Física, me perguntou porque eu estava mancando... sem saber explicar...também fiquei preocupada.
Fui ao ortopedista . Fiz fisioterapia e exames de ultra-som, raio x, ressonância magnética e nada de melhorar.
Iniciaram as câimbras, eu apresentava dificuldades para dirigir... dificuldades para escrever no quadro. Comprei um scaner, para passar o conteúdo em cartazes....E não melhorava ,os sintomas iam se agravando..
Em 01/04/2003 o ortopedista , me sugeriu operar. Fizemos a operação do menisco, a esta altura eu estava com uma lesão, no joelho.
Fui a outro ortopedista que me engessou o braço.... Que verão de 2004 !
Iniciei o ano letivo, com muletas , com dificuldades para locomoção, fiquei até o final do ano...
Em 2005, não consegui acompanhar o pique dos meus alunos...mesmo assim, continuei na secretaria da escola.
Em 2006, por pressão de alguns colegas, por preconceito, me tiraram da escola, uns queriam, a minha condição, eu precisava sair mais cedo para fazer fisio, hidroterapia...
Tive que me ausentar e pedir minha aposentadoria... Mas continuei a luta...
Uma colega, também da escola, me sugeriu ir a um neurologista , que me pediu um exame de eletro miografia, e o resultado foi Doença de Parkinson...
Iniciei o tratamento, com dificuldades de entender por que eu?
Em 2006 mal conseguia ficar de pé.... Aos poucos, fui encontrando uma luz no fim do túnel, fui procurar outros portadores...
Em 2008 tive Depressão, estava na cadeira de rodas.... tentei até o suicídio.
Aos poucos, consegui dar a volta por cima.
Fundei um Grupo de Ajuda aos portadores de Parkinson de Araranguá, minha cidade e estou resolvendo meus problemas. Ajudando os outros eu consegui ser ajudada.
Sabe onde passei meu aniversário este ano? Em Olinda no Recife, fui ao Congresso das Associações de Parkinson do Brasil.
Fiz amigos no Brasil inteiro através do Chat da ABP, tenho amigos do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul....
Estou cada dia melhor... É o eco da vida....
Maria Célia


domingo, 2 de novembro de 2008

Falando de Superação...


Conheci Tetê esses dias no chat da ABP ou APPP, gostei dela...soube que também tinha um blog e fui lá visitar...

Lendo os seus textos me deparei com um títulobastante significativo... ESPERANÇA E SUPERAÇÃO SEMPRE...
De lá retirei este trecho pra vocês ...

...Outra coisa importante que aprendi é que "O CORPO REAPRENDE O MOVIMENTO". Naquela época eu não tinha mais o balanço do braço esquerdo ao andar, o que me fazia perder o equilíbrio e tropeçar sempre. Uma outra fisioterapeuta, Marina Taricano, falou repetidamente que "O CORPO REAPRENDE O MOVIMENTO". Então passei a forçar meu braço esquerdo e movimentá-lo ao caminhar. Nunca desisti. Levou um ano até que um dia ao dar uma corridinha do carro até o portão de casa, meu braço fez um balanço natural. Hoje caminho com maior segurança, e os dois braços tem movimento igual. ... A confiança que tenho hoje em mim tem valor inestimável. O desejo de buscar sempre o melhor e nunca desistir é o pacto que a vida me propôs e eu firmemente aceitei.
Deixo aqui este depoimento, pedindo aos portadores de Parkinson, e de outras deficiências mais graves como preguiça, desânimo, apatia... que não se apeguem às limitações, mas sim às superações.
"Se eu não consigo abotoar a camisa com a mesma destreza de antes, ou eu começo a vestir-me meia hora antes ou escolho uma camiseta, mas não vou lamentar por isso nem deixar de sair e ver o mundo lá fora".

Se você quiser ver todo o texto o endereço é http://simplesmentetete.blogspot.com/
Vale a pena!


sábado, 1 de novembro de 2008

Depoimento da Elma


Um pouco da história de Elma - Mossoró - RN

Ano de 1996, tinha 44 anos de idade, estava fazendo uma especialização em Planejamento Educacional, quando começou a aparecer um tremor no dedo indicador; um cansaço quando precisava escrever um pouco mais, as letras começavam a sair tremidas e ia diminuindo de tamanho.
Fui fazer um curso de computação, não conseguia coordenar o mouse com o braço direito, fiquei preocupada procurei vários neurologistas aqui em Mossoró, o qual me medicou com 2 tranqüilizantes de tarja preta; percebi que não era isso que eu estava precisando, então suspendi a medicação por conta própria e procurei outro médico, fiz eletro encefalograma, 3 tomografias , também não chegaram a um consenso.
Viajamos para o Rio Branco - Acre, as minhas limitações cada dia iam se acentuando, sem que houvesse um diagnóstico, assistindo a um programa de tv, sobre coluna cervical imaginei que fosse o meu problema, pois estava toda travada, não conseguia nem dobrar uma toalha, não abotoava o soutien como de costume, procurei uma reumatologista a qual me pediu um raio x da coluna cervical, passou pra eu fazer fisioterapia dos braços, mesmo assim não obtinha o resultado desejado; foi ai que ela me indicou uma neurologista a Dra. Denise, em 1998, me fez o diagnóstico clinico chamando de Síndrome Parkinsoniana.
Dai em diante comecei a tomar Niar, Prolopa 125 mg. Atualmente tomo Levodopa + carbidopa de 250/25 mg, 1 comp. 3 x ao dia, e o sifrol de 0,25 mg 3 x ao dia.
Tento enfrentar o atual marido (pk) como sendo uma de minhas limitações, e não como doença, haja visto que vou ter que viver com ele até morrer, sem que ele me domine e não me deixe resolver o que sempre resolvi.
Meu marido Marlúcio, muito tem me dado apoio, apesar de que as vezes ele quer me super proteger, o qual entendo mas não compreendo muito, já a minha filha Yochabel, como é enfermeira me tem dado o apoio que mais necessito, o meu filho Jeú Marilúcio também tenta encarar com naturalidade. O resto dos meus familiares também tem me dado muita força me apoiando em tudo quanto quero realizar, estão prontos a me apoiarem, isto tem me dado muita força e me ajudado a enfrentar a vida com mais naturalidade.

Assim vou enfrentando a minha realidade atual!!!! Até o dia que Deus quiser!!!!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Depoimento do Edgar

Recordo que subitamente, em meados de 2001, minha força tornou-se cansaço, meu caminhar fez-se desengonçado, inseguro e meu pulso não parava de tremer ligeiramente. Lembro-me que fiz exames de todo tipo. Depois que vários médicos me disseram que eram os nervos, não dei muita importância. Minha vida seguiu seu caminho.
Com o passar dos tempos, meu pulso começou a tremer exageradamente.
No meu íntimo algo dizia que era grave e através de uma amiga de minha esposa, procurei novamente ajuda médica. Foi quando conheci Dr. Wagner Horta que após exame clínico, diagnosticou que padecia de uma doença de tipo neurológica de origem desconhecida e de evolução ainda mais incerta. Ali tive minha primeira boa lição de vida. Teria que ser racional e aceitar a doença, o que de fato faço até hoje.
Por meus filhos, por meus pais, por eles lutei com todas as minhas forças para superar o início do tratamento. A eles se juntou Edilza, minha esposa, que me apóia, ajuda e melhor, me compreende.
A coisa mais importante que aprendi na vida foi a sabedoria de aproveitar cada segundo de meus dias. Valorizar realmente o que vale a pena, quem merece minha amizade e entender que cada minuto é sagrado para mim. Trato de desfrutar com quem verdadeiramente quero, os momentos que a sorte me proporciona, fazendo coisas simples, para mim autênticos milagres, como jogar futebol com meus amigos, algo que me dá imenso prazer.
Aprendi com Luan - meu filho caçula, que é humano cair, mas, é obrigatório erguer-se. Aprendi a dar valor às pessoas por seu interior, a sobreviver diante da adversidade, a superar os medos à força de coragem.
Vivo cada dia o mais intensamente que posso e desfruto cada momento como se fora mágico, porque para mim realmente eles assim o são. Aprendi a conhecer-me melhor nesta nova etapa da vida, a querer-me, a amar mais os outros e posso dizer que sou MUITO FELIZ apesar de tudo.



Contribuição de Edgar- Limoeiro do Norte - Ceará...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Depoimento em Cordel

Regina de Mattos Pereira

Hoje acordei com vontade
De pra todo mundo contar
Sobre a Doença de Parkinson
Que resolveu se instalar
Na minha vida tão cedo
E me deixou a indagar...

Eu ainda sou tão jovem
Com uma filha ainda menina,
Por que meu cérebro parou
De produzir a dopamina?
Minha vida deu uma volta...
Será que faltou vitamina?

Essa Doença de Parkinson
É mesmo muito cruel
Diminui o movimento
Da caneta e do pincel...
E temos que buscar forças
É claro que lá do céu.

Sem a gente perceber
Ela vai se instalando
Com um pequeno tremor
A minha foi começando
Depois veio a rigidez
Percebi quando estava andando

Fiquei muito preocupada
Não achei isso normal
E eu imediatamente
Fui contar ao pessoal,
Que logo me encaminhou
Ao médico, o que era normal.

No primeiro médico que fui
Constatou em mim depressão
E que com aquele tremor
Eu não me preocupasse não
Receitou-me uns remédios
E exercícios na água, em vão.

Um tempo depois percebi
Uma mudança no caminhar
Minha perna estava pesada
Quando os passos eu ia dar
Foi ai que eu decidi...
Ao médico de novo voltar.

Essa doença não é
Fácil de se diagnosticar
Pois não há exame no mundo
Para ela identificar
Tem que excluir as outras
Para só ela então ficar.

Depois de alguns exames
Foi então que recebi
A noticia que marcou
Minha vida até ali.
Você está com Parkinson!
E de susto quase morri!!!

E agora o que fazer
Com essa notícia cruel ?
Não vou poder escrever
Nem ter uma vida normal,
Era assim que eu pensava
Mas não era o ideal...

Por alguns médicos passei
Minha família me levou
A preocupação era grande
Com a doença que se instalou
Ninguém sabia o que fazer
E aquilo me apavorou...

Tirem todos os tapetes
Que ela pode escorregar,
Na escada urgentemente
O corrimão tem que botar
E todos muito preocupados
Ficaram a me vigiar...

Até que por uma amiga
Minha irmã descobriu
Um médico homeopata
Que nas nossas graças caiu,
Porque depois que fui nele
O meu medo então sumiu.

Logo na primeira vez
Que o médico consultei
Tirei todas as minhas dúvidas
Pois muito com ele falei
E ao sair do consultório
Oitenta por cento melhorei.

Fiquei muito deprimida
Por um tempo é verdade
Essa doença de Parkinson
Tira a nossa liberdade
Precisamos de ajuda
Para nossa realidade.

Mas o tempo foi passando
Foi então que percebi
Que podemos controlar
Nossa vida por aqui
A doença não avança
Se isso eu conseguir...

Fiz terapia um tempo
Para poder entender
Que muita coisa acontece
Sem a gente perceber
Temos que nos adaptar
Àquilo que aparecer...

Os tempos não foram fáceis
Passei por muitos momentos
Algumas coisas até
Me causaram sofrimento
Mas tudo já é passado
Ficou só no pensamento...

Hoje eu vivo muito bem
Alegre e trabalhando...
Os problemas que passei
Ah! Eles eu vou levando
Um dia terão solução
Pois Deus está no comando!

Ter alguma dificuldade
No trabalho comecei
Com a compreensão de todos
Eu me readaptei
E uma linda biblioteca
Eu logo organizei...

Ela tem um bom acervo
Que a todos pode agradar
E nas suas aulas vagas
Os alunos gostam de estar
No recreio fica tão cheio
Que não sobra nenhum lugar.

Há pouco tempo conheci
Um pessoal bem legal...
Foi quando entrei no orkut
Que coisa mais genial!
Tinha várias comunidades
Que descobri sem igual.

Primeiro eu descobri
Que tinha informação,
Após algum tempo percebi
Ter também animação,
Vi ali uma família
E tratamento de irmão.

Fui chegando de mansinho
E logo eu me espalhei,
Acolheram-me muito bem
E eu, claro, aproveitei.
Fui fazendo tantos amigos
Que ali eu me instalei

São muitas comunidades
De pessoas como eu
Que brigam com a doença
Que de DP chamarei,
Mas todos muito valentes
Isso eu já observei...

Hoje eu sei que direitos
O parkinsonianos tem
Desde isenção de impostos
Até adquirir algum bem.
Mas os remédios de graça,
No Rio quase não tem!

Para comprar os remédios
Lá se vai o meu dinheiro,
Se botar na ponta do lápis
Quase vai o salário inteiro...
Dos remédios, temos direito
Aqui e no Brasil inteiro.

Mas a partir de agora
Tendo esta informação,
Vou entrar nessa batalha
E essa eu não perco não!
Eu vou fazer de tudo
Até ele chegar à minha mão.

Agora eu faço parte
Deste mundo virtual,
Que apesar da internet
Parece ser muito real.
Agora estamos pensando
Em fazer uma social...

Encontrar essas pessoas
Com quem falo todo dia
Vai ser muito importante
Para uma amizade sadia.
E depois em meu coração
Eles farão moradia...

No final de outubro
Um congresso vai haver
Alguns desses amigos
Lá eu vou conhecer,
Eu estou muito ansiosa
Isso eu não posso perder!

Depois que me enturmei
Com tanta gente legal
Minha cabeça fervilha
Procurando um ideal...
Um Blog, resolvi fazer
Pra ajudar ao pessoal.

Com uma baiana arretada
Fiz uma bela amizade
E conversando resolvemos
Tornar o Blog, realidade
É nele que vai sair...
Essa minha novidade...

Agora vocês já sabem
Como foi que aconteceu.
Essa minha mudança
E como tudo ocorreu...
Minha vida agora é outra
Olha onde você se meteu!

Meu Depoimento

Iris Scarabucci


Dia 10 de outubro de 2003: Diagnosticada minha depressão.
Síndrome do Pânico; Palpitações; Medos; Taquicardia; Sensação de desmaio e Muitas dores na coluna. Tensa, toda rígida. Início do tratamento.

Desde 1994 já tinha alguns sintomas leves. Nem Imaginava que o Inglês estava se aproximando de mim. Como eu fazia Fisioterapia e nos anos subseqüentes, RPG e depois Pilates, os sintomas eram muito sutis.

Em maio de 2004, minhas dificuldades estavam ficando aparentes. Eu não conseguia calçar uma sandália de dedo deslizando o pé, as crises de coluna estavam freqüentes, os engasgos até com o ar aconteciam e as pessoas começaram a me chamar atenção: Iris, você está mancando, seu braço está dobrando. Cheguei no Rio de Janeiro e minha cunhada percebeu o meu braço e me alertou para o fato dele estar ficando dobrado. Mas minha filha e uma irmã já tinham me chamado à atenção sobre isso. Tratavam da minha coluna e eu vivia nas fisioterapias. Realmente eu sentia muitas dores na coluna

Dia D.

2006-Ano Fatídico e Inesquecível Diagnóstico - PARKINSON

Bem, no decorrer do ano de 2006, eu não agüentava mais remédios e dores na coluna. Faltava ao serviço. Era uma situação delicada. Dava entrada 2 vezes por semana em prontos socorros para amenizar as crises de coluna.
Resolvi procurar um ortopedista que eu não ia há tempos, mas que era meu médico, e quando lá cheguei relatei minhas entradas em pronto socorro, que eu não agüentava mais as hérnias de disco, que tinha tremores, rouquidão etc. Ele me ouviu com carinho e atenção. No exame clínico os meus reflexos estavam exacerbados. Eu era o retrato do enrijecimento, “toda dura”. Percebia que meu rosto não tinha muita expressão. Não entendia o que era. Aí, veio o veredicto: Investigue amanhã Parkinson. Eu quero você de licença médica para investigação urgente. No dia seguinte estava no neurocirurgião, um grande amigo, que foi maravilhoso comigo.
Relatei-lhe o que eu sentia e a indicação do ortopedista. Após os exames clínicos, solicitou os exames de praxe e veio o diagnóstico: PARKINSON. Saí dali meio perplexa, atônita e robotizada. Eu era o reflexo da ignorância do Parkinson, não imaginava o que eu teria que modificar em minha vida. Meu caso é do lado direito, perna e braço.
Bem, tudo tem lados bons e ruins. A coisa boa é que me redescobri como mulher, passei a me cuidar mais. E passei a me ENXERGAR. Até então, eu vivia colocando todos e tudo em primeiro lugar. Eu não me via mais, não me enxergava, entende? Eu sou avó de primeira viagem, e minha neta de 3 anos é uma das razões da minha vida e um dos meus amores. Tenho 3 filhos sendo um com sete aninhos. Foi quando me bateu a insegurança: Será que vou viver pra ver meu filho e minha neta criados?

A VIRADA

Não parei para chorar, apesar do medo que sentia. Vesti minha pele de leoa e parti para a briga. Era ele ou eu. E eu decidi que iria mandar esse inglês para o inferno. Afinal, nunca me submeti ao jugo de ninguém.
Esqueci de mencionar que, além do PK, sou hipertensa e tenho um início de diabetes.
Dei início ao tratamento: doses cavalares de medicamentos para as doenças já citadas, e outros para as que acompanham o PK: depressão e o que todos conhecem, além, é claro, da reposição hormonal. Pensam que parou por aí? Fonoaudióloga, hidroginástica, alongamentos (em casa), caminhadas, exercícios para o equilíbrio. Levo sempre uma bolinha na bolsa e, onde quer que eu esteja, pego minha bola sem nenhuma vergonha e me exercito. Eu que sei de meus problemas e não posso me dar ao luxo de me preocupar com o que os outros estão pensando da louca com sua bolinha.
Não escondo de ninguém que tenho Parkinson. Normalmente, as pessoas não acreditam, pois esses tratamentos todos estão dando bons resultados: MEU EQUILÍBRIO MELHOROU, MINHA EXPRESSÃO FACIAL SUAVIZOU-SE (sou disciplinada e faço os exercícios em casa, vendo TV, no computador, onde der), AS DORES MELHORARAM, enfim, sou uma pessoa completamente normal.
Devo destacar que, desde o início, conto com a ajuda e dedicação de meu marido e filhos.
Outra coisa importante: voltei a curtir coisas que eu amo e tinha até esquecido: ouvir música, tocar violão, praia (tenho ido pouco, devido ao tempo).
RESUMO DA ÓPERA: QUEM QUISER DAR UMA RASTEIRA NO INGLÊS TEM QUE SER BEM BRASILEIRO, TEM QUE SE MEXER, NÃO PODE FICAR PARADO. TEM QUE SAIR DA TOCA, PASSEAR, ENFIM, TEM QUE VOLTAR A VIVER O MAIS PLENAMENTE POSSÍVEL.
Se não fizermos nada e só ficarmos nos lamentando, ele irá nos vencer. Temos que ficar bem e prontos, pois as pesquisas estão avançando e quanto melhor estivermos no momento da descoberta da cura, mais chances teremos.

ENTÃO, É O SEGUINTE:
O INGLÊS É PREGUIÇOSO, NÃO GOSTA DE MOVIMENTO. VAMOS CONTRARIÁ-LO: MEXA-SE. O TEMPO TODO. NÃO PARE. TUDO NO SEU TEMPO (NÃO VÁ QUERER DISPUTAR UMA MARATONA). E, PRINCIPALMENTE, VAMOS DAR VIVAS À VIDA, POIS ELA É BELA E ÚNICA E CADA UM DE NÓS DEVE VIVÊ-LA INTENSAMENTE.